Atento ao ponto eletrônico, o árbitro argentino Nestor Pitana, que apitou Portugal x México, aguarda o veredito com base nas imagens de vídeo (Foto: Franck Fife/AFP)

Cristiano Ronaldo, Alexis Sánchez e Arturo Vidal estiveram em campo neste domingo, Portugal e México ficaram num animado 2 a 2, o Chile bateu Camarões por 2 a 0 , mas a estrela do segundo dia de disputa da Copa das Confederações na Rússia foi o VAR (vídeo assistant referee), o sistema de vídeo adotado pela Fifa para auxiliar o árbitro.

O recurso levou à anulação de dois gols (um de Portugal e um do Chile) e à validação de um tento chileno num lance em que o bandeirinha havia assinalado um impedimento que não houve. As três decisões foram acertadas, o que mostra como a tecnologia pode ser útil ao futebol. Se o VAR tivesse sido usado no Couto Pereira o gol de Jô contra o Coritiba não teria sido anulado, e o Corinthians teria mais dois pontos no bolso.

Uma das críticas feitas ao uso do vídeo para ajudar o árbitro é que atrapalha a dinâmica do jogo. Para os críticos do VAR, o tempo que os três árbitros confabulam numa salinha enquanto observam a jogada por vários ângulos “esfria” o jogo. Esse argumento surgiu no Mundial de Clubes realizado em dezembro no Japão, quando o Kashima Antlers teve um pênalti marcado a seu favor no confronto com o Atlético Nacional quase três minutos depois do lance – o jogo havia até prosseguido por falha na comunicação dos observadores de vídeo com o árbitro. Mas na Rússia as decisões foram muito mais ágeis.

Em primeiro lugar, o jogo ficou parado até que viesse o veredito da cabine de vídeo – no Japão o problema foi que a partida continuou, porque demoraram a avisar ao árbitro que a jogada estava sendo analisada. Neste domingo os árbitros dos dois jogos (o argentino Nestor Pitana e o esloveno Damir Skomina) fizeram um sinal para o público e os jogadores saberem que estava aguardando a decisão dos observadores do vídeo – que é passada a eles pelo ponto eletrônico. E a decisão mais demorada levou apenas um minuto e dez segundos, tempo que às vezes se perde na cobrança de uma falta – principalmente no Brasil, onde os jogadores adoram fazer uma rodinha para reclamar do árbitro.

O VAR anulou corretamente um gol do português  Nani quando o jogo com o México estava 0 a 0, um do chileno Vargas quando o embate com Camarões também ainda não tinha gol e validou o de Vargas que definiu o resultado de 2 a 0.

OS JOGOS

No primeiro jogo do dia, o empate teve sabor de triunfo para os mexicanos. O time ficou em desvantagem no marcador aos 41 minutos do segundo tempo com um gol de Cédric, escapou de levar o terceiro num contragolpe logo depois e achou o empate numa cabeçada de Hector Moreno aos 46.

Portugal, atual campeão da Europa, jogou o tempo todo no contra-ataque. E deixou claro que se tivesse um meio-campo de mais qualidade técnica para alimentar Cristiano Ronaldo teria muito mais poder de fogo. O atacante, que é uma máquina de fazer gols, foi acionado poucas vezes e se exasperou com alguns erros dos companheiros que tentavam servi-lo – ou que demoravam para entender sua movimentação e não faziam o passe.

Mesmo assim ele teve participação importante e foi eleito o craque da partida. Mandou uma bomba na trave, deu um passe primoroso para o gol de Quaresma e mostrou generosidade para colocar os outros em condição de finalizar.

O México, dirigido pelo ex-são-paulino Juan Carlos Osorio, marcou no campo português, ficou muito mais tempo com a bola e teve boas chances para desempatar quando o placar mostrava 1 a 1. O primeiro gol do time foi marcado por Chicharito Hernández

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No outro jogo, o Chile só demorou tanto para liquidar Camarões porque não tem um homem de área daqueles que são especialistas em colocar a bola na rede. Só no primeiro tempo a equipe teve oito chances, criadas quase sempre com passes rasteiros que furavam a última linha defensiva dos africanos e pegavam alguém entrando livre pelo lado direito ou pelo meio.

No segundo, mesmo com menos chances, o Chile continuou mais perigoso. Mas só abriu o placar aos 36 minutos, numa cabeçada de Vidal. Vargas fechou o resultado nos acréscimos.

A equipe africana tentou viver das bolas aéreas (seus jogadores são muito mais altos do que os chilenos, que tinham Vidal, com 1,78 m, o de estatura mais elevada) ou dos erros dos zagueiros – especialmente Jara – na saída de jogo.

A primeira rodada será concluída hoje com a partida entre Austrália e Alemanha em Sochi.

 




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