Lucas Barrios faz dois gols e garante vitória do Grêmio diante da Ponte – foto: site / Grêmio

 

Brasileirão 2017 teve um pequeno deslize do Corinthians no empate (2 a 2) com o Atlético-PR no Itaquerão com mais de 40 mil torcedores na abertura da 14.ª rodada. Seria um prenúncio de que Renato Gaúcho está certo? – a sua previsão é que o líder vai despencar. A polêmica está na mesa. E fica mais quente com a reação do Grêmio. Time gaúcho venceu a Ponte Preta de virada e chega a oito pontos do Corinthians. A rodada ainda marcou a reação do Palmeiras, o empate insosso de Cruzeiro e Flamengo e mais um tombo do São Paulo ladeira abaixo na corrida contra o rebaixamento.

PROFECIA

Renato Gaúcho é personagem especial do futebol brasileiro. Na época de jogador, atacante impetuoso e de qualidade, vivia no limite das grandes atuações no campo e dos prazeres de celebridade fora do gramado. Na função de treinador, arrasta um pouco dessa irreverência nas entrevistas. Assim que o Grêmio derrotou o Flamengo no meio de semana, Renato disse que o Corinthians iria despencar no Brasileirão. “Podem anotar”, garantiu. Estava embutido aí perseguição de seu time ao líder. Para que isso acontecesse, teria de vencer a Ponte Preta em casa nesse domingo. Conseguiu. Depois de sofrer no primeiro tempo com a derrota parcial e marcação ferrenha do time de Campinas, reverteu o quadro no segundo tempo com um futebol mais forte, troca acelerada de passes e arremates ao gol, sem desespero. Virou para 3 a 1 e viu a distância do Corinthians cair para oito pontos. A expectativa de Renato é que sua profecia possa se consumar. Após a vitória diante da Ponte, o treinador se manifestou: “Quero pedir desculpas ao Corinthians, errei ao falar em ‘despencar’, troquei de palavras, eu quis dizer que ‘vai tropeçar’, e isso eu não retiro.”

ATOLEIRO

São Paulo no redemoinho, no labirinto,  no atoleiro, na areia movediça. Escolha qualquer uma dessas situações para explicar a gravidade do momento que o Tricolor vive no Brasileirão. Há nove jogos não conhece o sabor de uma vitória. Na partida de seis pontos contra a Chapecoense, perdeu por 2 a 0 na Arena Condá. Incrível como o time não se entende. Ao sofrer o primeiro gol de bola parada, já no segundo tempo, desabou. Nervos se esgarçaram. Jogadores de quem se esperava uma boa produção, como Cueva e Pratto, não deram boas repostas no jogo. A cada rodada fica mais claro o tamanho da incompetência dos dirigentes, que venderam a  granel, contrataram de baciada e atropelaram um esboço de planejamento idealizado quando apostaram em Rogerio Ceni. A chegada de Dorival Júnior, mesmo que sem tempo para organizar a casa, não teve efeito positivo em dois jogos. São Paulo embicou no roteiro dos que são rebaixados. Com 12 pontos, a corda aperta no pescoço.

Maycon não tem vida fácil com Lucho – foto: Alex Silva

PRIMEIRO TROPEÇO

Corinthians sofreu em casa diante do modesto Atlético-PR no sábado. No empate ( 2 a 2) contra um time em reestruturação e na briga para não cair, o líder do Brasileirão mostrou que sem algumas peças importantes não tem a mesma eficiência. Sem o zagueiro Pablo, um pilar da defesa, o lateral Arana, fundamental no apoio ao ataque e marcação, e, principalmente, Rodriguinho, o Corinthians deixou de ser letal. Construiu os dois gols, ambos com Jô, em cima de falhas do adversário. Carille disse que ficou satisfeito com o desempenho, não com o resultado. Quis transmitir segurança após um jogo sem a mesma embocadura de outras jornadas, como, por exemplo, na vitória contra o Palmeiras na quarta-feira. E desdenhou a fala de Renato Gaúcho, técnico do Grêmio, de que o Corinthians iria desabar no segundo turno. Será?

UM ALENTO

Ainda sem o futebol eficiente da temporada 2016, o Palmeiras se recuperou da derrota no meio da semana para o Corinthians. Bateu o fraco Vitória por (4 a 2) com alguma dificuldade, apesar dos quatro gols. No primeiro tempo, se dobrou à ansiedade. Corria muito com a bola e deixava a troca de passes apenas na imaginação. Guerra e Dudu não se conectaram. E foi para o intervalo com a vitória parcial (2 a 1) – um dos gols de pênalti não existente em Mina. No segundo, mais assentado e confiante, lembrou um pouco o time campeão do ano passado e fez valer o mando de casa. Dudu fez dois gols, uma reação às últimas confusas exibições. Cuca disse que tem muita coisa boa ainda para acontecer com o time. Se refere a Jean, um esteio na lateral e intervenções no meio campo, Moisés, a principal peça da engrenagem, e a chegada de Deyverson, atacante de velocidade e força. Com esses três, Cuca espera relançar em 2017 o Palmeiras de 2016, antes que seja tarde demais.

Dudu resolve a vida do Palmeiras contra Vitória – foto: Alex Silva

IMPASSE

Cruzeiro e Flamengo, postulantes a perseguir o líder Corinthians, se entregaram aos seus tormentos. Mandante em um Mineirão a todo apoio, o time mineiro seguiu a cartilha de Mano Menezes. Deixou a bola com o Flamengo e se armou para ser mortal nos contra-ataques. Não saiu do lugar. Na condição de visitante, a equipe carioca agradeceu a gentileza do anfitrião, tomou conta da bola com carinho, sem desperdício, mas não buscou o gol com apetite de quem briga pelo título. Girou muito e criou pouco. No segundo tempo, mais de atrevido, saiu na frente com o gol de Everton. Poderia até se impor em seguida, mas viu o Cruzeiro criar coragem e dar a resposta em seguida com Sassá. No fim, o empate (1 a 1) expôs as contradições dos dois times. Um que vive à espreita do contra-ataque e o outro que gosta de proteger a bola, mas não é contundente na hora do gol. Impasse está mesa de Cruzeiro e Flamengo.

fonte: globoesporte




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