Eurico Miranda no julgamento do Vasco no STJD – foto: site / Vasco

Vasco sofreu um duro golpe com a punição imposta pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) nesta segunda-feira e pode comprometer seu desempenho no Brasileirão 2017. A pena contempla a perda de seis mandos de campo por causa dos incidentes no estádio São Januário durante o clássico contra o Flamengo há uma semana quando um torcedor foi morto. Eurico Miranda, presidente do Vasco, disse que a culpa pelos atos de vandalismo e violência é da Polícia Militar e acusa TV Globo de tendenciosa.

O clube carioca foi acusado pela Procuradoria do STJD de “não prevenir e reprimir desordens, tentativa de invasão e lançamento de objetos e bombas no campo do jogo”. E ainda “deixar de manter o local da partida com infraestrutura necessária para garantir a segurança não só dos torcedores e participantes, mas também dos profissionais de imprensa”.

Com a perda de seis mandos de campo e multa de R$ 75 mil, o Vasco vai ter de jogar em um estádio a 100 quilômetros de São Januário. Sem sua casa, a expectativa é de queda de rendimento no campeonato. Com 14 rodadas, o clube carioca ocupa o 8.º lugar, com 20 pontos – das seis vitórias do time, cinco foram como mandante.

Veja vídeo da batalha em São Januário:

Eurico Miranda disse que o clube não pode ser prejudicado com a punição de jogar com portões fechados como fez contra o Santos neste domingo no Engenhão. Seu argumento é de que o Vasco não deveria ser responsabilizado pela falta de segurança. Quem teria de prestar conta é a PM.

“Esse que morreu (torcedor), morreu a quatro quadras do estádio do Vasco. E um PM que atirou. Botaram imagens do PM saindo com arma na mão. Foi divulgado e comprovando que um PM do Gepe, de dentro do gramado, atirou bomba de gás lacrimogêneo indiscriminadamente, no meio do torcedor, e depois se vangloriou que mandou e que mandou e era para mandar muita coisa em cima do “chiqueirão”. E ainda teve a coragem de botar a camisa do Flamengo. E divulgar isso. A PM já tomou conhecimento. Divulgou alguma coisa a respeito em relação a esse policial? O Vasco procurou, com as imagens que tem, todos aqueles que conseguiu identificar. Um era soldado do exército. Está sendo apresentado, como foi apresentado antes”.

O cartola disse ainda que há muitos interesses por trás dessa batalha entre policiais e torcedores. Acusa a TV Globo de ser tendenciosa na divulgação e entrevistas a respeito dos incidentes no estádio São Januário. Sociólogo Mauricio Murad, um estudioso da violência no futebol, analisa o caso de São Januário em entrevista ao Chuteira FC: leia aqui.

Veja pronunciamento de Eurico, após o empate (0 a 0) contra o Santos no Engenhão. Cartola diz que o Vasco sempre foi um “clube da resistência e vai continuar resistindo”:

A respeito de jogar com portões fechados na partida contra o Santos no Engenhão, Eurico havia dito no domingo que trata-se de uma “punição dupla”, com o veto à venda de  ingressos e o aluguel que teve de pagar para usar o Engenhão.

“Prejuízo, por alto, de mais de R$ 1 milhão. Porque se leva em conta o que deixa de arrecadar e o que teve que gastar. Mas o prejuízo financeiro é até secundário. Se levar em consideração o prejuízo de ordem técnica, esse não dá nem para calcular”.

“O Vasco recebeu uma dupla punição. Perdeu o mando de campo e teve que jogar com portão fechado. A CBF tinha determinado portão fechado. E a PM disse com a maior tranquilidade que nao podia dar segurança no entorno de São Januário. Onde ela pode dar segurança? Aí e ela dá segurança no entorno do Engenhão? E quando mataram um com espeto? Ela pode dar segurança? Isso foi retaliação clara da PM ao Vasco, que causou esse prejuízo”.

Sem analisar a situação do clube carioca, Levir Culpi, treinador do Santos, disse após o jogo que por um lado a punição de jogar em um grande estádio sem torcida teve seu lado positivo:

“Há muito tempo não participava de um jogo tão sem graça. O bom que nem a torcida do Vasco e nem a do Santos me xingou.”




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