Lance do empate sem gols entre Coritiba e Corinthians – foto:site/Coritiba

Oitava rodada do Brasileirão 2017 não alterou de forma significativa o rumo do campeonato. Líder Corinthians lamenta gol anulado de Jô no empate (0 a 0) com Coritiba, jogo marcado por confronto sangrento entre facções dos dois times – a violência volta ao futebol. Palmeiras e Atlético-MG vencem fora de casa e mandam avisar que estão vivos. E no Morumbi, torcida do São Paulo já tem alguém para crucificar: Lucão. Acompanhe destaques dessa rodada fechada com Cruzeiro 3 x 3 Grêmio nesta segunda-feira (19/6) no Mineirão.

Prejuízo no Paraná

Sem um pingo de emoção, sem brilho e mais uma vez eficiente, Corinthians volta do Paraná inconformado com erro absurdo da arbitragem ao anular um gol legal de Jô quase ao final da partida contra o Coritiba. Bandeirinha alegou impedimento do atacante que estava em condição de jogo. Seria o gol da vitória, da consolidação da liderança. O descuido do comissariado do apito, ao final das contas, caiu bem a um confronto em que se criou muita expectativa, mas não correspondeu. Era jogo para ninguém vencer diante da baixa produtividade dos ataques e da falta de ideias claras. O líder se mostrou mecânico, acima do previsto. Rodriguinho, um dos motores da engrenagem, não apareceu. E muitos lamentaram não ter à disposição o árbitro de vídeo para validar o gol de Jô.

Fora de casa

Palmeiras arranca sua primeira vitória fora de casa com bom repertório ofensivo, direito a dois belos gols e vacilos imperdoáveis na zaga. Enfiou 4 a 2 no Bahia, na Fonte Nova, e creditou na sua conta três pontos preciosos, em um momento de certa apreensão e alguma desconfiança. Cuca repetiu o esquema adotado na derrota diante do Santos na Vila, com um ataque de três jogadores verticais e de bom calibre. Usou Jean no meio e deixou Tchê Tchê no banco no primeiro tempo. E recorreu ao mesmo Tchê Tchê na segunda metade do jogo, com Jean na lateral, quando o Palmeiras passou a mandar no jogo. Os gols artísticos foram de Keno e William. E as pixotadas ficaram por conta de Mina e Juninho, ainda desentrosados, e Egidio. Mesmo com alguns problemas, o time convenceu e fortaleceu algumas teses de Cuca.

São Paulo sofre gol de Cazares no Morumbi – foto: Alex Silva

Síndrome de pânico

Impressionante como boa parte da torcida do São Paulo é repetitiva diante de uma jornada medíocre de um de seus jogadores. Na derrota (2 a 1) para o Atlético-MG pregaram o zagueiro Lucão na cruz. Suas falhas aterrorizaram até mesmo dirigentes influentes, contribuíram para o desastre do time e encobriram os equívocos de Rogerio Ceni na estratégia de jogo. Ao final da partida, Lucão anunciou que está de saída do clube. Esse gesto levou torcedores a imaginar que o zagueiro vai ser um novo Casemiro, um Kaká ou até mesmo Luis Fabiano, todos destroçados em algum momento por sua gente no Morumbi, mas que ganharam brilho próprio em outras freguesias. O problema do São Paulo não é queimar suas crias, é se debruçar no trabalho que se faz das categorias de base ao time profissional. A torcida prefere revirar o baú do passado em busca de uma justificativa para o presente.

Ruas de sangue

Por volta das 8h de domingo, quando muitos cidadãos comuns saíam de casa em busca de uma missa, um culto, ditos torcedores de futebol preferiram arrancar sangue uns dos outros. A batalha aconteceu nas ruas vizinhas ao estádio Couto Pereira, onde às 11h o Coritiba enfrentaria o Corinthians. O confronto, segundo informou a PM de Curitiba, foi premeditado. João Carlos de Paula, de 24 anos, torcedor do Coritiba acabou detido dentro do Estádio Couto Pereira quando acompanhava ao jogo. Ele é um dos suspeitos do quase linchamento de um torcedor do Corinthians e vai responder pelo crime de tentativa de homicídio – pode pegar de oito a 20 anos de prisão. Segundo a PM, ele é membro da torcida organizada Império Alviverde, uma das mais violentas do Paraná. O tenente-coronel Wagner Lucio dos Santos, responsável pela operação, disse em coletiva de imprensa que três ônibus e uma van com torcedores do Corinthians não solicitaram escolta da polícia porque já tinham intenção de partir para briga com torcedores do Coritiba que também queriam sujar as ruas de sangue.

Frases capitais

“Estava jogando um jogo decisivo, hoje, na minha casa, e quem mandou foi o adversário. Tem alguma coisa errada. Era decisivo e não conseguimos. O comportamento não foi ideal de quem joga uma partida decisiva em casa. Foi questão de comportamento” – por Vanderlei Luxemburgo, treinador do Sport, após Sport 1 x 3 Vitória, na Ilha do Retiro.

“Quando o Richarlison caiu, o Scarpa chamou atenção do árbitro. Não teve flair play. Quando ele colocou a touca, o árbitro não deixou ele voltar. Pedi ao quarto árbitro… e saiu o gol (de Trauco, no empate). Não sei se tem a ver, mas no momento do gol, eu estava com um jogador a menos” – por Abel braga, treinador do Fluminense, sobre Fluminense 2 x 2 Flamengo

“A gente imaginava que depois do empate a gente conseguiria o gol da virada. A gente estava preparando o Conca, programando a entrada. Aumentando a capacidade de chegar na área. Mas levamos o gol no pênalti. O Thiago foi bem na bola, quase que pega, mas o que fica nesse jogo é que a gente está retomando o caminho. A confiança está de volta. A gente consegue perceber isso”– Zé Ricardo, treinador do Flamengo, também sobre Fluminense 2 x 2 Flamengo.

“Não sei pra onde estão conduzindo o futebol brasileiro. Quer dizer, eu sei. O calendário prejudica as equipes que se credenciam por bons anos anteriores. Temos que dar um jeito. Vamos transformar os jogadores em máquinas e fazer o melhor possível. Hoje foi desgastante e quarta-feira tem mais. Tenho dito: quem organiza e faz o calendário deveria ter lições de fisiologia, para ter ideia como se faz recuperação de um jogador”– por Roger Machado, treinador do Atlético-MG, após São Paulo 1 x 2 Atlético-MG no Morumbi.

“Não vi a declaração (do Lucão, de que vai deixar o São Paulo). Estou sabendo pelas suas palavras. Lamento, porque vaias e aplausos são do jogo. Ele (Lucão)é um patrimônio do clube e prefiro ver melhor exatamente as palavras que ele usou. É sempre ruim quando você é vaiado, mas tem de ter cabeça no lugar para não dar uma declaração que não possa se arrepender futuramente. Eu sou de uma época em que, independentemente de vaias, era sempre muito especial jogar pelo São Paulo. Queria que ele tivesse também esse tipo de sentimento” – por Rogerio Ceni, sobre comportamento do zagueiro no São Paulo 1 x 2 Atlético-MG.

“É questão de tempo, a gente chegar ao primeiro lugar da tabela”, disse Renato Gaúcho, treinador do Grêmio, após empate de seu time por 3 a 3 com o Cruzeiro no Mineirão nesta segunda-feira. Time gaúcho abriu 2 a 0, sofreu dois gols, fez o terceiro e levou mais um na partida apontada como uma das melhores do campeonato até aqui.

Veja os gols da oitava rodada Brasileirão 2017 na edição da CBF: clique aqui.

 

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